Sibéria!

Finalmente chegamos na Sibéria!

Ventos rasgam a paisagem como facas afiadas, ausência de qualquer civilização e temperaturas que chegam aos 40˚C negativos. 

Esqueçam tudo isso, estamos no verão! Nesta época do ano faz um calor de rachar, 30˚C com direito a um perpétuo céu azul, mosquitos que não acabam mais, cidades grandes, muita festa e estradas com trânsito digno de véspera de carnaval. Ainda assim conseguimos imaginar como o inverno é rigoroso, os ônibus rurais são montados sobre gigantescos caminhões militares Ural 6x6, e segundo alguns relatos, a neve chega facilmente aos 2 metros de altura. 

Foi assim, que saímos de Ufa e chegamos a Ishim, uma pequena cidade, apenas mais ou menos conhecida pelo fato de ser uma conhecida parada do lendário Transiberiano. 

Encontramos um modesto hotel, com excelente quarto e jantar servido diretamente em sua porta. Tudo administrado por duas simpáticas senhoras que praticamente nenhum inglês falavam. A mímica vem sendo uma excelente ferramenta de comunicação, assim como o iPhone munido do App “Word Lens” ou “Google Translate”. 

Aproveitamos a passagem pela cidade, para conhecer a famosa estação de Ishim, onde ecoava em seus alto-falantes a passagem do trem Barnaul - Moscou. Quase a mesma rota que estamos fazendo. 

Uma caraterística muito interessante de todas as cidades que estamos passando, é o fato delas terem sido construídas tendo a ferrovia como sua espinha dorsal, sendo a estação de trem o coração de toda a cidade, lugar de onde partem as demais artérias da cidade. 

Nossa viagem caminha como havíamos planejado. Nosso Citroën continua a consumir quilômetros com inigualável destreza e conforto, consumindo apenas 1 litro de gasolina a cada 14km e filtrando cada uma das imperfeições da estrada com sua fantástica suspensão.

Após Ishim, chegaríamos em Omsk, em cirílico “Омск”, onde o “C” é “S”, mais uma semana estaremos fluentes no novo alfabeto! 

Omsk é conhecida como a mais vermelha cidade da Rússia, ou seja, a mais socialista. Lenin está por todas as partes, estátuas, imagens, etc… Próxima ao Cazaquistão, é reduto de um grande nacionalismo e importante base militar além de hospedar a maior refinaria do país. 

Justamente no dia que chegamos, um domingo de sol, a cidade comemorava o dia do soldado paraquedista, uma festa de grande importância, onde os ânimos nacionalistas afloravam explosivamente sob calor do verão siberiano. 

Com quase todas as ruas fechadas, acabamos estacionado o carro próximo a praia da cidade, à beira do Rio Irtich, onde o Dietrich arriscou um banho. Descobri-se apenas mais tarde, não se tratar de uma água apropriadamente limpa… Ainda assim nenhum efeito colateral foi observado, o Dietrich continua firme e forte. 

Foi justamente esperando a liberação das ruas, que conhecemos muitos locais. Alguns nos confundiram com americanos, afinal estrangeiros parecem ser uma grande novidade aqui. Mas assim que falávamos que éramos brasileiros, rapidamente se tornavam amistosos proclamando todos os ícones de nossa seleção. Encontramos então o formidável casal de amigos Leo, moçambicano em intercâmbio na força aérea local e sua professora de línguas Aliya. Ela nos contou um pouco sobre toda a história da cidade, o patriotismo, as questões políticas, etc, etc… Inclusive cantou para nós! Caramba, como as pessoas são legais, isso parece ser uma constante, sem exceções!

O Leo foi outra figura incrível termos conhecido, ele nos contou um pouco da experiência de ser apenas um dos 6 negros na cidade, e justamente quando nos contava sua história, uma criança parou ao seu lado absolutamente intrigada. Os pais, não sabendo como reagir, pediram desculpas e pegando a criança pela mão, continuaram seu caminho. 

Dia seguinte fizemos um belíssimo passeio de bicicleta pelas margens do Irtich, bicicletas alugadas em uma bicicletaria cujo dono não compreendia o fenômeno do recente boom turístico.   

Nossa passagem pela cidade foi seguida da hospitalidade do Sacha, piloto e amigo do Misha e agora também nosso grande amigo, mas isso é assunto para um novo post!

Continuem ligados!

Abraços

 

 Encontro inusitado e transiberiano! 

Encontro inusitado e transiberiano! 

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 Encontro com Leo e Aliya

Encontro com Leo e Aliya

 Igreja típica

Igreja típica

 Prédio construído a moda socialista, em painéis pré-fabricados. 

Prédio construído a moda socialista, em painéis pré-fabricados. 

 Antigas vias hoje servem de lazer

Antigas vias hoje servem de lazer

 O novo e o velho, e a placa de proibido ancorar.  

O novo e o velho, e a placa de proibido ancorar.  

 Passado e presente

Passado e presente

 Ponte sobre o Rio Irtich

Ponte sobre o Rio Irtich

 Rio Irtich e ao fundp uma usina termelétrica

Rio Irtich e ao fundp uma usina termelétrica