“This is a hard route” e o sorriso que um arame proporciona!

Olá, olá!!!

Finalmente retomamos a atualização do blog! 

No post anterior comentamos que estávamos indecisos sobre o caminho que faríamos em direção a capital da Mongólia, Ulan Bator. 

Existiam duas opções, a rota sul em bom estado com quase nada para se ver ou subirmos em direção ao norte e arriscar a rota central com sua exuberante paisagem montanhosa geralmente realizada por 4x4. Optamos pelo segunda, é claro!

Nos informamos com os locais e a resposta foi: “This is a hard route”

Foi fantástico! A exuberância da paisagem da Mongólia terminou por nos cativar! 

Sem querer ao escolher um dos vários caminhos possíveis partindo de Altai e subindo em direção ao norte, terminamos por desviar da rota. Apesar evidentemente errado, a paisagem do caminho era maravilhosa. Tivemos então a idéia de ligar para alguém acordado às 2h da madrugada no Brasil para verificar nosso ponto no Spot e assim termos certeza se o caminho que estávamos levaria ou não até Uliastai. O pai notívago do blogger foi o escolhido.

“Oi pai, você poder ver no spot com imagem do Google Earth, se a estrada que estamos vai até Uliastai?” 

Em alguns momentos veio a resposta via mensagem no Iridium: “Caminho errado”.

Voltamos os 30km que havíamos rodado, continuando o caminho oficial. 

Nem tudo sairia perfeitamente como havíamos planejado. Uma chuva torrencial varria as estepes Mongóis, tornando a condução bastante complicada. Tivemos que parar o carro algumas vezes para enxugar os componentes da ignição do carro, que a cada travessia de alagados se molhava nor roubando quase toda a força do motor. 

Nada disso porém se compararia ao maior desafio do nosso caminho, a queda em uma enorme vala. 

Eis que surge uma erosão, sem muita possibilidade para sair dela em direção a um piso melhor, escolhemos deixa-la passar sob o carro. Não deu certo, escorregamos para seu interior com uma considerável batida. 

Estávamos no absoluto ermo das estepes, chovendo, com frio e agora com assoalho do carro encostado na terra e com uma das rodas de tração girando livremente no ar. 

Chacoalhamos, cavamos, empurramos, mas nada surtia efeito. Apoiamos então a roda girando em falso com uma pedra, subimos nas portas e num conjunto de movimentos bastante sincronizados, aos poucos o Citroën se libertou do obstáculo. 

Continuamos então nosso lento progresso em direção a cidade de pernoite. 

Poucas horas antes de nosso destino, surge um caminhão quebrado e seu motorista em apuros pedindo ajuda. 

A comunicação é simplesmente impossível, por sorte a língua dos sinais é bastante universal. Com um alicate em mão e movimentos descrevendo um fio, logo entendemos! “Ele quer uma arame!”

Há! A vida e suas coincidências!

Durante uma das paradas nas obras das estradas da Letônia, o blogger havia pego do chão um pedaço de arame amarrado para qualquer eventualidade junto ao mecanismo do porta-malas. Entregamos o arame e fomos recompensados com um sorriso maravilhoso. Ficamos gratos e felizes em ajudar alguém naquela imensidão deserta. 

Ufa! Que dia! Estávamos exaustos!

Chegamos então em Uliastai, uma minúscula e pitoresca cidade, encontramos um hotel, este previsivelmente em péssimo estado e fomos jantar.

O restaurante foi um ponto alto de nossa passagem pela cidade. O que até então se mostrava um lugar tranquilo, transformou-se precisamente às 10 horas da noite em uma balada, com som alto e raios laser e muita diversão. Claro, fomos educadamente alertados pelo garçom “Now is party”.

Foi interessante ver como os mongóis dançam os manjados hits internacionais; em círculos como suas lutas. 

De Uliastai continuamos viagem para Tosontsengel. As estradas que até então estavam péssimas, se tornaram ainda piores. Pedras cortantes, rios para atravessar, lama, aclives, areia e infinitas opções de caminhos, diminuíram ainda mais nosso progresso. Nossa velocidade média agora era não mais que 20 km/h. Uma verdadeira tortura mental!

Durante nosso pernoite em Uliastai o Dietrich havia passado bastante mal em razão de alguma comida que havíamos experimentado. Este dia foi especialmente complicado para ele. Agravando ainda seu sofrimento, um forte cheiro de gasolina seguindo de um substancial vazamento de combustível se tornou realidade no interior do carro chacoalhante. Nosso Citroën não parecia acreditar que em seus 35 anos de idade, viria enfrentar tamanho desafio justo em sua aposentadoria. 

Ao final do dia chegamos até um belíssimo vale onde resolvemos montar nosso acampamento.

Aproveitamos para reparar o tanque de combustível, com massa epoxi que havíamos comprado momentos antes com muita mímica e alguma ajuda de um tradutor on-line e então terminamos de montar nossas barracas. 

Novamente a natureza e a paisagem da Mongólia nos acolheu com incomparável beleza e tranquilidade. Dormimos como pedras, mas somente após apreciar o por do sol e o maravilhoso céu característico das estepes mongóis. Outro hotel de um bilhão de estrelas!

Foi uma noite bastante fria, mas nosso equipamento nos atendeu na medida certa. 

Acordamos, tomamos café e continuamos nossa jornada pelas montanhas e estepes Mongóis. O destino seria agora o Lago Branco um vale formado por um imponente vulcão. 

As estradas agora ficaram mais largas, mas ainda muito ruins, repletas de impiedosas costelas de vaga. Uma pequena folga na suspensão dianteira, que outrora não nos incomodava, aumentara preoucupamentemente, nos obrigando a dirigir ainda mais devagar.

Indiferente da qualidade das estradas, chegamos à majestosa margem do lago branco onde ficaríamos hospedados em uma tradicional yurt. Que delícia! Aconchegante, aquecida e com direito a uma tradicional sopa de carne de cabra e leite de iaque quente. 

As opções vegetarianas são inexistentes, logo não se tem muita opção. Experimentar a cozinha local faz parte da aventura.  

Carregamos a salamandra de nossa yurt com bastante lenha e assim tivemos nosso merecido descanso em camas não muito maiores que este que vos escreve. 

Partimos então em direção ao nosso último dia pela rota central. Confesso que já estávamos bastante fartos da tortura imposta pela má qualidade do caminho.

Aproveitamos para presentear alguns locais com fotografias tiradas por nós e impressa numa pequena impressora que carregamos. Foi muito legal!

Tomamos um delicioso banho de rio, sim, fazia já alguns dias que não tomávamos banho.  Foi um banho bastante frio e uma água de pureza desconhecida, para não dizer coisa pior. 

Chegamos ao Museu e templo budista de Kharakhorum na cidade de Kharkhorin, a capital do império mongol até o século XIII. Bonito e muito turístico. 

Aproveitamos a parada para colocamos novamente o par de pneus de asfalto na dianteira do nosso carro e também para constatarmos que nosso bagageiro havia se quebrado em uma de suas pernas de sustentação. 

Já em direção a atual capital do país, Ulan Bator, encontramos um simpático mecânico na beira da estrada que com muita alegria e irreverência reparou nosso bagageiro com solda elétrica e toda mímica envolvida no processo. 

Esperando em nosso destino, encontrava-se o casal de overlanders brasileiros Rafa e Isa os“Day Tripers” viajando em seu fantástico Land Rover Defender. Eles já haviam reservado camas no hostel “Oasis”.

Encontrar brasileiros amigos foi muito bom! Estamos muito felizes! 

Sim, o hostel Oasis é um verdadeiro Oasis nesta grande Mongólia, ponto de encontro de todos os viajantes internacionais, banheiros ocidentais, nada de latrinas, e com um agradável sistema de self service para bebidas e comidinhas. Tudo gerenciado por um casal de Austríacos. 

Infelizmente hoje foi a vez do blogger indispor. Acordei com horríveis calafrios, seguido de um belíssimo desarranjo intestinal. Eventualmente o mau cheiro da água do rio que nadamos outrora dê uma pista, cheirava esgoto e sem querer, acabei engolindo alguma água, confirmando minha suspeita sobre a água… Mas já estou me sentindo melhor… Não se preocupem! ;)

Se tudo correr bem, amanhã devemos ir em direção ao deserto de Gobi, para depois voltar ao norte, em direção a Ulan Ude na Rússia.

Em Ulan Ude finalizamos o rali, embarcamos o carro de trem para Vilnius e voltarmos para casa.

Sim, estamos bastante exaustos, mas acreditem, nossas almas foram purificadas por toda exuberância e superação imposta pelos belíssimos caminhos da Mongólia.  

Um grande abraço e não deixem de comentar! 

Nuts!

 Caminho errado, mas que beleza  

Caminho errado, mas que beleza  

 As nuvens desceram conferindo um clima interessante.

As nuvens desceram conferindo um clima interessante.

 Perdidos e felizes

Perdidos e felizes

 Buracooo! 

Buracooo! 

 Restaurante de Uliastai

Restaurante de Uliastai

 O mesmo restaurante em Uliastai em modo balada

O mesmo restaurante em Uliastai em modo balada

 Nosso camping

Nosso camping

 O valente Citroën

O valente Citroën

 O camping no Eden. 

O camping no Eden. 

 Paisagens de tirar o fôlego! 

Paisagens de tirar o fôlego! 

 E estradas horríveis  

E estradas horríveis  

 Sessão de foto com a turma das yurts

Sessão de foto com a turma das yurts

 Belíssimos cavalos! 

Belíssimos cavalos! 

 Sopa de carne de cabra! 

Sopa de carne de cabra! 

 Leite de iaque! 

Leite de iaque! 

 Lago logo à nossa frente

Lago logo à nossa frente

 Templo de   Kharakhorum

Templo de  Kharakhorum

 Faça sua oração

Faça sua oração

 K harakhorum

Kharakhorum

 Belíssimos pátios

Belíssimos pátios

 Finalmente asfalto, mas muito ruim! 

Finalmente asfalto, mas muito ruim! 

 Petenha solda no bagageiro

Petenha solda no bagageiro

 Turma reunida no Oasis em Ulan Bator, com Isa, Rafa, Jenny, e os Br Nuts

Turma reunida no Oasis em Ulan Bator, com Isa, Rafa, Jenny, e os Br Nuts

 Tchau turma! Partindo amanhã para o Gobi!

Tchau turma! Partindo amanhã para o Gobi!