Um bilhão de estrelas e buracos! Que paisagem!

Serei honesto; nossa aventura começou. Agora para valer! 

Estamos no modo aventura, nível máximo! 

Estradas de terra em péssimo estado passaram a ser rotina. Nossa velocidade média caiu de bons 100km/h no asfalto para algo entre 20 ou 30 km/h. 

Dirigir passou a ser uma tarefa extremamente cansativa. Dirige-se como um caçador de minas terrestres, observando metro a metro à frente dos pneus. Fortes costelas de vaca fazem do nosso Citroën um verdadeiro washboard de jazz. Um horror! 

Acrescente uma poeira densa como talco, que agora toma conta de todo o interior do carro, bem como das nossas câmeras e tudo que se possa imaginar. 

Por sorte, ondulações e buracos grandes são imperceptíveis para nós, apenas as costelas de vaca nos faz sofrer. Viva a tecnologia da suspensão do nosso velho Citroën 1981, hidropneumática.

Temos em nosso time três maneiras distintas de direção: 

O Gerard é bem cuidadoso com o carro, na dúvida ele a diminui a velocidade em todos os obstáculos. Sua velocidade média é de 25 km/h.

O blogger anda mais rápido, deixando o GSA lidar com eventuais buracos que fujam do seu controle, coisa que o carro faz muito bem, mas até quando nosso velho bólido será capaz de aguentar, isso não se sabe. Velocidade média de talvez 40 km/h.

O Dietrich é uma boa mistura, nem afobado como o blogger, nem tão cuidadoso quanto o Gerard. Velocidade média de 30 km/h. A grande preocupação do Dietrich, segundo ele mesmo, é se ele não está andando rápido demais para um ou lento demais para o outro.

A verdade é que ninguém quer ser o autor de uma quebra no meio do nada, a responsabilidade é grande e todos estão fazendo o máximo para preservar a integridade do carro e chegar ao destino final. Cada um com sua receita.

Passado o capítulo das estradas e direção, aproveitamos muito as paisagens. No início montanhosas, depois absolutamente planas. Em comum; sempre exuberantes!

Paramos em alguns lagos e aproveitamos uma torre de observação de pássaros para fazermos nosso almoço. Uma melancia, que havíamos comprado na Rússia e muesli. Ahh sim, tomamos um champanhe de Euro 1,50 (isso mesmo) que havíamos comprado para brindar nossa entrada na Mongólia. Pasme, não era tão ruim como imaginávamos. Ao final do dia saímos do caminho em direção ao ermo das estepes mongóis, para finalmente montarmos nosso esperado acampamento. 

Nos 2 km que rodamos sobre as estepes, tivemos o nosso primeiro pneu furado, um galho perfurou um dos pneus.  Rapidamente consertado com um kit de reparo.

Nosso acampamento provaria ser a mais bela noite de toda nossa viagem, ou talvez arriscaria dizer, de nossas vidas. O céu estava absolutamente limpo e totalmente escuro, sem nuvens ou luar. A via láctea magnifica colocada à nossa frente e estrelas cadentes cortavam o céu enquanto contávamos os satélites passando sobre nossas cabeças. A quantidade de estrelas era tamanha que podíamos caminhar apenas com a luz delas. Pela primeira vez, consegui fazer uma foto iluminada apenas com a luz das estrelas! 

Tudo estava perfeito, temperatura perfeita, silêncio absoluto, nenhum inseto, céu 360˚, nenhuma luz ou presença de civilização, não chovia e ainda jantamos deliciosas comidinhas que o Gerard trouxe da Inglaterra. Ok, a cerveja estava morna, mas tomamos como se estivesse gelada. 

Ficamos eufóricos com algumas estrelas cadentes, algumas delas deixavam grandes rastros no céu. Foi realmente emocionante. 

Recolhidos em nossas barracas, dormimos boas 8 horas de excelente sono e partimos para Altai. 

A estrada que outrora já mostrava ruim, ficou ainda pior. A poeira se tornou ainda mais forte e as costelas de vaca cada mais impiedosas.

No meio do caminho fomos obrigados atravessar um rio lamacento cuja ponte havia quebrado. Depois de debater a melhor rota, atravessamos o rio, porém no meio dele o motor do nosso Citroën se apagou sem qualquer motivo (provavelmente ignição molhada). Por sorte o Gerard conseguiu religar o carro, voltar alguns metros e com algum embalo chegar até a outra margem. Ufa!

Esperando-nos do outro lado do rio, dois carros do rali amargavam alguns problemas com seus veículos. Uma minivan com amortecedor quebrado e um velho Skoda com algum histórico de aquecimento do motor. 

Foi assim, debaixo de um calor escaldante do norte do deserto de Gobe, sim estamos aqui, que chegamos na cidade de Altai (não confundir com Altai na Rússia). Como bom deserto, a noite faz um bom frio. Por sorte hoje é dia de banho e cama.

Amanhã continuamos em direção a Uliastai (ou talvez não, ainda estamos debatendo), nos arriscando um pouco mais, porém em busca de paisagens ainda mais belas. Mas talvez optemos pela rota sul, garantindo uma chegada mais fácil porém não tão interessante. 

Continuem nós acompanhando!

Ahh sim, deixem comentários, nós adoramos!

 GSA bravamente avançando em direção ao leste!  

GSA bravamente avançando em direção ao leste!  

 Camping no paraíso! 

Camping no paraíso! 

 Puro deleite! 

Puro deleite! 

 Uma estepe inteira só para nós! 

Uma estepe inteira só para nós! 

 O céu começou a dar as caras! 

O céu começou a dar as caras! 

 Em breve este seria o resultado! Estrelas iluminando nosso acampamento. 

Em breve este seria o resultado! Estrelas iluminando nosso acampamento. 

 Poeira/talco! Horror! 

Poeira/talco! Horror! 

 Ponte caída. 

Ponte caída. 

 E um belo rio de lama para cruzar. Na foto parece ok, mas foi difícil! 

E um belo rio de lama para cruzar. Na foto parece ok, mas foi difícil!